O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Verdes Anos": o PAN já faz parte da história do ecologismo em Portugal



O livro Verdes Anos. História do ecologismo em Portugal (1947-2011), de Luís Humberto Teixeira (Lisboa, Esfera do Caos, 2011), será apresentado pelo Prof. Viriato Soromenho-Marques na 3ª feira, dia 31 de Janeiro, às 18.30, na Livraria Bulhosa de Entrecampos. Este livro dedica o capítulo 8 ao PAN e ao seu resultado surpreendente nas últimas eleições legislativas. Reproduzimos os três últimos parágrafos do livro, após se referir o historial de adversidade de Portugal e dos países do Sul da Europa aos ideais ecologistas:

"Perante este ambiente hostil, como se explica então o sucesso do PAN, que nas primeiras eleições legislativas a que concorreu obteve mais de 50 000 votos em listas próprias (feito inédito entre os partidos ecologistas portugueses) e quatro meses depois elegeu um deputado em eleições regionais?

Será um epifenómeno ou será que o segredo para o sucesso de um partido verde em Portugal passa por unir a defesa do ambiente aos direitos dos animais e às causas humanitárias?

Para responder a estas questões teremos de esperar mais algum tempo. Entretanto, uma coisa é certa: por mais negro que seja o cenário do país e do planeta, muitos acreditam que a cor da esperança ainda é o verde"

Cabe-nos mostrar que o "segredo" é mesmo esse e que o PAN veio para crescer e ficar.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

BOM DIA PRIMAVERA

aí está a Primavera
nem que seja por um dia

reanima-se na Terra
a Natureza
- tudo o que existe sorri

nem que seja por um dia
nem que seja fantasia
nem que seja só quimera
aí está a Primavera

nem que seja - ai quem me dera
Primavera só por mim

sábado, 21 de janeiro de 2012

off load



onde
mínimo nulo se insoluciona
rumo a um infindo destino
eternamente irresolúvel

Vergílio Torres

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SALA-DE-ESPERA de HOSPITAL

com o seu ar solene
austero
adusto

mais do que mortal - perene
o homem já não era homem
era um busto

grego ou romano

- de César
ou de Augusto

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

II POEMA PARA UMA GARÇA do DIVOR

na lagoa a GARÇA
se maquilha
ajeita as penas
das asas e do peito

para a Grande Gala do espetáculo
quando levanta voo
e tudo à sua volta é Sol
e Azul

Silêncio
e Graça

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Se não acedes à estupefacção do intelecto cais na estupidez intelectual

LIBERDADES


acordei com um pássaro negro esvoaçando em casa
:
preto como um estorninho mas de cauda comprida como se de melro
não sei identificar

já me limpou todas as teias-de-aranha dos ângulos mais altos das paredes
onde o espanador - preso a uma cana - não alcança

cumprido o seu papel de utilidade
vou abrir todas as janelas
para lhe mostrar
o caminho da sua liberdade

liberdade de pássaro
não é igual
à liberdade de pessoa

liberdade de pessoa
é quando não tem grades

casa de pássaro é o céu
e sua liberdade é quando voa

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Seres serpenteados, seres emocionados, tomai de minhas mãos "Emoções".

Rita Cardoso - "Emoções" from MPAGDP on Vimeo.





Tomai outras coisas mais, por quem sois!

Rita Cardoso - "Coisas Concretas" from MPAGDP on Vimeo.



Rita Cardoso - "Serve-te" from MPAGDP on Vimeo.

A poesia é a festa do pensar

Nosso coração é antigo

Nosso coração é antigo
de antes de haver idade
por isso existir lhe não dá abrigo
ébrio de espanto e saudade
Símbolos? Meta-símbolos?
Odeio símbolos, os mestres-de-obras dos poemas, os clínicos
analistas das metáforas, os engenheiros do amor, os arquitetos
da foda, os psicanalista da música fúnebre. Odeio os que num verso
tentam perceber a minha vida toda. Invertem parábolas, agitam-nas,
sacodem-nas, analisam a minha dor à lupa.
Rais parta a simbologia, as pernas das letras, os nenúfares nas mesinha
de cabeceira, os poetas escriturários, belos, sentimentais e sonâmbulos
como os bois pela beirinha da estrada.
Odeio os que a modinho retiram a vesícula do poema, injetam sol
e pleonásmos, virgulam os sentidos.
Meus senhores, o que escrevo advém das flores, roubado às flores,
plagiado das flores. Esse é o meu crime, o meu sangue, que é fresco
e tem sete fuso horários.
Por favor, não me dêem cabo dos significados!

Percorridos todos os caminhos / Ficas onde sempre estiveste

domingo, 15 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

MEU AMOR
quero-te comigo
como na espiga o trigo
:
bago-a-bago
afago contra afago

umbigo contra umbigo

meu amor
quero-te comigo
mais grão do que sentido
- messe de verão

o pão
que sejas tu o pão
daquilo que eu te digo

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

La prière du coeur


La prière du coeur est un face à face intime.
Je suis dans ma chair la réponse à Dieu,
coeur à coeur qui résonne à l'unisson dans le monde.
Le "Je suis" de Dieu transcende le temps
et Le rend immanent à chaque instant.
L'espace, le temps Le manifestent
mais ne sauraient cristalliser sa Présence.
La prière du coeur est une goutte de lumière vivant
qui nous pénètre et nous transfigure.
Elle ne s'apprend pas,
elle se vit totalement,
elle n'est pas une technique, une formule
mais un état d'Amour,
une tension sans effort,
un désir fou
vers Celui qui habite en plénitude en nous.

O amor é um encontro do espírito ao qual o corpo não quer faltar

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

GIRO

giro é que
neste mundo giro
feito de aparências
e mentira

porque a Terra gira
nem toda a gente é gira

mas toda a gente gira

Para venir a lo que gustas has de ir por donde no gustas



Para venir a gustarlo todo

no quieras tener gusto en nada.

Para venir a saberlo todo

no quieras saber algo en nada.

Para venir a poseerlo todo

no quieras poseer algo en nada.

Para venir a serlo todo

no quieras ser algo en nada.

Para venir a lo que gustas

has de ir por donde no gustas.

Para venir a lo que sabes

has de ir por donde no sabes.

(…)

Cuando reparas en algo

dejas de arrojarte al todo.

Para venir del todo al todo

has de dejarte del todo en todo,

y cuando lo vengas de todo a tener

has de tenerlo sin nada querer.

En esta desnudez halla el

espíritu su descanso, porque no

comunicando nada, nada le fatiga hacia

arriba, y nada le oprime

hacia abajo, porque está en

el centro de su humildad.


Juan de la Cruz

UM IMPÉRIO NOSSO



Atente-se menos na noção, e mais no fazer-se, dinâmico, desta aglutinação vista através das janelas baças de um quarto para dentro do mesmo quarto. Uma introspecção ajoujada num acto de sofrimento, que, se não transmitisse qualquer interesse, não era por isso menos verdadeiro. Este império! Presente renovo na leitura a esmagar empíricos sentidos, solipsismo montado em elefantes brancos.

Que manifesto? Que coisa? Aonde a subir cinzentamente cinza tão cruel e bruta que não podia deixar de ser nossa?

E aos olhos de quem, se fossem para diferenciar algo? Não teriam inclusos a qualquer consideração a mais pequena intenção prometeica de se constituírem impérios além de unipessoais tanto que o fossem grandes, e eram os maiores

Impérios de cinza perdida que eram capazes de envergonhar um Napoleão com a sua amplitude. Conseguem ser mais do que esses mediatos obviamente concretos e exteriores, onde os desapiedados fariseus tentam engordar-se na atmosfera dos ditados

Aqui está equilibrado o sujeito da sua pessoa, o espaço indómito da verdade com bigodes mefistofélicos, nossos, que os retorcemos com um movimento de dedos desinteressados. O desconsolo das batalhas perdidas ou vencidas que nunca precisaram de o ser na edificação, tentam apossar-se, e conseguem, à sua maneira, um nascer do Sol que não lhes pertence, definindo-o e sublinhando-o em insufladas selvaticamente de serenatas de plástico desafinadas como um exército perdido de império estrangeiro

Com botas gastas marcham as hostes hasteadas de aonde de alguém, seguindo obstinadamente a sombra de velhos sujos, que lhes pareciam, bizarramente, os sósias do Salazar na cama, assinando inutilmente. Afinal sempre se cansam do sol, e tais coisas e às tantas se perdem em si, abstrusas nas intenções, sósias deles. Ou as luzes jamais lhes pertenceram, a esses ditadores bêbados e cambaleantes, e eles ofuscados se simplificaram no labirinto assustado de cada um.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quando tentei ser poeta original
vieram bandidos e esfregaram-me com ouro
líquido na cara. quando sonhei com a leveza 
dos pássaros perdidos, uma poetisa engravidou-se 
através das suas próprias mãos. quando vesti a túnica 
das esfinges gregas, uma criança chorou diante 
do altar do abandono. quando descobri o conforto do invisível,
parti para dentro de mim e acendi os olhos.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

TAXAS MODERADORAS

Um Serviço Nacional de Saúde
TENDENCIALMENTE menos virado
para a PRESCRIÇÃO do que para

a PROSCRIÇÃO

Peixe

 



Pensamentos profundos, sorriso de água doce, escamas coloridas: Proteção contra ondas negativas.

B. Damas